EVENTOS
LANÇAMENTO DO DOCUMENTÁRIO MIRATEATRO! PROCESSOS
21 DE JUNHO DE 2022
Exibição do filme + Bate-papo com realizadores
Data: 21/06, as 19h
Local: Teatro Noel Rosa - UERJ Campus Maracanã
Lotação: 211 lugares
Classificação indicativa: 10 anos
INSCREVA-SE AQUI
Conversa após a sessão com:
Nanci de Freitas (Diretora | Mirateatro!)
Tatiana Motta Lima (CLA/UNIRIO)
Eloisa Brantes (ARTES/UERJ)
e mediação de Pedro Henrique Borges (Diretor)
Necessário apresentar COMPROVANTE DE VACINAÇÃO + DOCUMENTO COM FOTO. O uso de MÁSCARA é obrigatório nas dependências do Teatro.
FICHA TÉCNICA DO EVENTO
Apresentadores
Nanci de Freitas, Pedro Henrique Borges, Eloisa Brantes e Tatiana Lima
Divulgação
Divisão de Teatro da UERJ, Julia Esquerdo e Cesar Germano de Oliveira Costa
Arte do Folder
Divisão de Teatro da UERJ
Realização: Prosacine
MOSTRA DE VÍDEOS CENA E PERFORMANCE
10 E 11 DE DEZEMBRO DE 2020
Lives apresentadas na plataforma Instagram, no endereço @mirateatro_art_uerj, dentro da Mostra de vídeos: cena e performance, produzida pelo projeto Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica.
FICHA TÉCNICA DO EVENTO
Orientação: Profª Nanci de Freitas
Divulgação: Julia Esquerdo e Cesar Germano de Oliveira Costa
Apresentadores: Nanci de Freitas, Pedro Henrique Borges, Analu Cunha, Antônio Jardim e Natasha Saldanha
Arte do Folder: Julia Esquerdo
Apresentação: Nanci de Freitas e Analu Cunha
Plataforma: Instagram, @mirateatro_art_uerj
A live debateu questões relacionadas a duas vídeo-performances, com atuação de Nanci de Freitas, Live tentativa e Selfie atônita, realizadas em 2020, durante a quarentena
LIVE TENTATIVA
SELFIE ATÔNITA
Apresentação: Nanci de Freitas e Antônio Jardim
Plataforma: Instagram, @mirateatro_art_uerj
A live debateu questões relacionadas ao mini doc. O Marinheiro - às vezes isso vai buscar sonhos, curta metragem, realizado em 2020, sobre o processo de encenação do poema dramático O Marinheiro, de Fernando Pessoa, dirigido por Nanci de Freitas, em 2016, no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro.
Apresentação: Natasha Saldanha e Pedro Henrique Borges
Plataforma: Instagram, @mirateatro_art_uerj
A live debateu questões relacionadas ao filme experimental "O que queremos ser queremos sempre ter sido no passado", curta metragem realizado em 2018, inspirado nas narrativas das três mulheres do poema "O Marinheiro", de Fernando Pessoa.
MIRATEATRO 10 ANOS: PROCESSOS EM VÍDEO
27 DE SETEMBRO DE 2018
Mostra de vídeos produzidos pelo projeto Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica: processos de criação cênica, vídeo-performances, registros de atividades, exibição do documentário, em processo, sobre os 10 anos do Mirateatro: 2007-2017.
Laboratório de Artes Cênicas – Sala 3/COART. Centro Cultural da UERJ
Cartaz do evento: Eduarda Andrade (bolsista de extensão)
MAKING-OFF DAS FILMAGENS
Making-off das gravações de entrevistas com artistas e ex-alunos do Instituto de Artes que participaram do projeto Mirateatro, entre 2007 e 2019.
As entrevistas foram inseridas no documentário Mirateatro! Processos, finalizado em 2021.
OFICINA - CRIAÇÃO CÊNICA PERFORMATIVA:
TEMPO DE URGÊNCIAS!
30 de maio + 6, 13, 20, 27 de junho de 2018
FICHA TÉCNICA DO EVENTO
Orientação: Profª Nanci de Freitas
Bolsistas de graduação: Eduarda Andrade e Giovana Adoracion
Filmagens: Pedro Henrique Borges
Apoio técnico e fotografia: César Germano de Oliveira Costa
Realização: Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica
O projeto Mirateatro abriu seu espaço de pesquisa para encontros com estudantes e artistas, para experimentar cenas performativas na confluência entre corpo, som, vídeo e poesia. A oficina propôs a busca de um espaço do comum, para traduzir as perplexidades e urgências que vivenciamos nesse momento de (des) encontro entre desejo, pensamento e ações, que transitam entre subjetividades, o outro, o mundo.
INFORMAÇÕES DO EVENTO:
De 14 a 18 horas
Local: Laboratório de Artes Cênicas (Sala 3, Centro Cultural da UERJ)
Evento gratuito
Folder divulgação: Eduarda Andrade (a partir de foto de Nanci de Freitas)
Apartir dessa oficina, duas videoartes foram desenvolvidas:
Corpo-papel: Vídeo de partituras corporais construídas com três atrizes, a partir de movimentos pelo espaço, com folhas de papel e estímulo musical. A pesquisa corporal partiu de uma proposição: escreva no papel o que é urgente pra você.
Malas de Dinheiro: A sátira performativa articula crítica de gestos que aderem ao mundo regido pelo poder, dinheiro e fetiche da mercadoria, traduzindo perplexidade diante de um tempo de desencontro entre desejo, pensamento e ação.
MOSTRA MULHERES EM CENA
15 A 17 DE MAIO DE 2018
A mostra Mulheres em Cena foi realizada de 15 a 17 de maio de 2018, contando com a apresentação de dois espetáculos, cinco performances e dois vídeos.
O evento se propôs mostrar experiências artísticas protagonizadas por mulheres e que tematizam questões próprias do feminino. Teve a colaboração entre dois projetos de pesquisa e extensão: Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica, coordenado pela Profª Nanci de Freitas, e MOTIM - Mito, rito e cartografias femininas nas artes, coordenado pela Profª Luciana Lyra.
FICHA TÉCNICA DO EVENTO
Curadoria
Nanci de Freitas
Iluminação e operação de luz
César Germano de Oliveira Costa
Operação de som
Pedro Henrique Borges
Fotografia e filmagem
George Magaraia
Cartaz da mostra
George Magaraia
Produção
Eduarda Andrade
George Magaraia
Pedro Henrique Borges
Realização
Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica
15 DE MAIO DE 2018, ÁS 19H30
COM Roda de conversa: Eloisa Brantes e Nanci de Freitas
PAGÚ Pra quê?
Espetáculo teatral
Texto e atuação: Gleice Uchoa
Direção: Luã Batista
O espetáculo conta a história de Patrícia Rehder Galvão, a Pagú (1910-1962). Pagu foi escritora, poeta, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante do Partido Comunista Brasileiro. Integrou-se ao movimento antropofágico, sob a liderança de Oswald de Andrade, com quem se casou em 1930. Nos momentos conturbados do Governo Vargas, Pagú atuou na luta por direitos trabalhistas, diante de um cenário industrial escravagista, sendo a primeira presa política torturada no Brasil. Em 1933, publicou Parque industrial, sob o pseudônimo Mara Lobo, considerado o primeiro romance proletário brasileiro.
Inspirado no livro Dos escombros de Pagu, de Tereza Freire, o espetáculo conta a história dessa feminista combativa, utilizando o hibridismo das artes, trazendo para a plateia o questionamento Pagú pra quê?
Roda de conversa com Eloisa Brantes e Nanci de Freitas
16 DE MAIO DE 2018, ÁS 18H30
Cenas e Performances com artistas-pesquisadoras do PPGArtes UERJ.
Programa de Pós Graduação em Artes.
Yriádobá – Da Ira à Flor
Performance: Adriana Rolin
Orientadora: Luciana Lyra
Partilha baseada na mítica da ira e da fúria da deusa iorubana Obá, tramando a história do mito com a história pessoal da artista que encena a dramaturgia de sua escrita. O processo de criação serviu como amplificação às cicatrizes do ser mulher na contemporaneidade, revisitadas metaforicamente na lenda em que Obá mutila sua própria orelha num culto secreto dos femininos. A performance é um convite à cena ritual curativa e caminha na integração do arquétipo cindido: Obá navega nas águas de Oxum e trilha da ira à flor.
Sobre o Vestido Branco
Performance: Cristiane Souza
Orientadora: Nanci de Freitas
A artista utiliza um vestido branco com uma extensão de 40 metros. As forças se estabelecem aos pares que se reconhecem na ação-reação, resultando na interação entre dois corpos no espaço, mediados pelo branco do vestido que os conecta. O branco é a cor-luz ideal, síntese-luz de todas as cores, favorecendo a duração silenciosa, densa, metafísica (Oiticica, 1986).
Corpo-papel
Vídeo-performance: Nanci de Freitas e Pedro Henrique Borges
Atrizes: Eduarda Alves, Giovana Adoracion e Maristela Marinho
Integrantes do Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica
Vídeo de partituras corporais construídas com três atrizes, a partir de movimentos pelo espaço, com folhas de papel e estímulo musical. A pesquisa corporal partiu de uma proposição: escreva no papel o que é urgente pra você.
Quero contar-lhe uma história
Performance: Andrea Pech
Orientadora: Nanci de Freitas
Relato de uma performance que integra a pesquisa sobre narrativas autobiográficas de amor entre mulheres. Na performance, o público foi convidado a deitar individualmente com a artista e refletir sobre atrações afetivas, amorosas e sexuais. A leitura procura reativar as experiências vividas na vida pessoal e no decorrer da performance executada anteriormente.
A Bárbara
Perfopalestra: Brisa Rodrigues
Orientadora: Luciana Lyra
Partindo do mito da Antígona, a artista fricciona histórias de mulheres revolucionárias como Bárbara de Alencar, Dilma Rousseff e Marielle Franco. Através de uma perfopalestra, expõe sua criação em processo, revelando passagens de sua vida na busca pela educação.
MEDEACÚSTICA
Performance: Luciana Lyra
Professora do Instituto de Artes da UERJ
Releitura da peça curta MEDEA que tomou parte do espetáculo Um Berço de Pedra (2016), tendo Luciana Lyra como atriz, dramaturgia de Newton Moreno e direção de William Pereira. Neste solo revisitado, a cena ganha contornos mais épicos, a MEDEA de Eurípedes transmuta-se na presidiária de Moreno, arquétipo da brasileira excluída, condenada por infanticídio e confrontada com a tragédia da maternidade.
O que queremos ser queremos sempre ter sido no passado
Vídeo-performance: Nanci de Freitas e Pedro Henrique Borges
Atrizes: Gleice Uchoa, Lícia Gomes e Natasha Saldanha
Integrantes do Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica
Vídeo inspirado nas narrativas ficcionais e memórias luminosas de três mulheres, do poema dramático O Marinheiro, de Fernando Pessoa, que atravessam uma noite velando o corpo de uma irmã e tentam fugir do horror.
17 DE MAIO DE 2018, ÁS 19H30
COM RODA DE CONVERSA: NANCI DE FREITAS E ALEXANDRE SÁ
Minha alma é nada depois dessa história
Espetáculo teatral
Direção e texto: Ribamar Ribeiro.
Com os Ciclomáticos Companhia de Teatro
Um vigia de uma fábrica se apaixona por uma misteriosa mulher chamada Cleide, que faz amor com árvores e carrapatos. Um dia Cleide desaparece e este amor se torna uma história sem flor e alma. Vencedor de diversos festivais no país, o espetáculo foi selecionado para o Festival Internacional FESTEPE na República do Peru e também se apresentou no Centro Cultural Kuringa, em Berlim, e no Festival Internacional de Teatro Mish Mash, na cidade de Amiens, na França. Em 2015, participou do Festival Internacional de São José do Rio Preto.
O Marinheiro: texto, musicalidade e encenação do poema dramático de Fernando Pessoa
15, 22 E 29 DE ABRIL DE 2016
FICHA TÉCNICA DO EVENTO
Curadoria
Nanci de Freitas
Produção
Carolina Moreira
Pedro Henrique Borges
Folders de divulgação
do evento
Pedro Henrique Borges
Apoio Técnico
Cesar Germano de Oliveira Costa
Realização
Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica
O grupo Mirateatro apresentou o espetáculo O Marinheiro, no Teatro Glauce Rocha, no Rio, de 8 de abril a 1º de maio de 2016. Dirigida por Nanci de Freitas, a peça é uma encenação do poema dramático de Fernando Pessoa, escrito em 1913 e publicado dois anos depois, tendo completado seu centenário em 1915.
As sessões aconteceram de quinta a domingo. A programação incluiu, ainda, debates com convidados após apresentações dos dias 15, 22 e 29 de abril (sextas-feiras).
Sinopse
Numa torre – um espaço atemporal – três mulheres atravessam uma madrugada espectral velando uma morta, numa atmosfera de sonho e imaginação. Enquanto esperam o amanhecer, elas narram histórias de um tempo imerso na inocência, na beleza e na vivacidade da natureza. No sonho de uma delas, um marinheiro náufrago vive numa ilha deserta e perde as lembranças de sua vida anterior. Entre imagens da memória e da ficção, elas caminham para um pesadelo, um suspense metafísico que gera o apelo angustiado: “quem poderia gritar para despertarmos?”.
Espetáculo O Marinheiro
De 8 de abril a 1 de maio de 2016
Quinta, sexta e sábado: às 19h
Domingo: às 18h
Local do Evento
Teatro Glauce Rocha
Endereço: Av. Rio Branco, 179 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
Telefone: (21) 2220-0259
E-mail:teatro@funarte.gov.br
I FESTIVAL INTERUNIVERSITÁRIO DE
CULTURA DO RIO DE JANEIRO
11 de julho de 2015
As instituições públicas de ensino superior do Estado do Rio de Janeiro reuniram-se no Fórum Interuniversitário de Cultura (FIC-RJ) e decidiram promover, de 2 a 12 de julho de 2015, o I Festival Interuniversitário de Cultura – FEST-FIC 2015. No ano em que a capital do Estado comemora 450 anos, o Festival está em 20 municípios fluminenses com mais de 400 atividades entre espetáculos de dança, música, teatro, oficinas, cursos, performances, exposições, visitas guiadas, contação de histórias, saraus, brincadeiras e esporte.
Evento múltiplo, aberto a todas as idades e gostos, com todas as atividades gratuitas, afirma o compromisso do FIC com a arte pública e com a construção de uma nova cidadania cultural.
O espetáculo O Marinheiro, produção do Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica integrou a programação do festival.
FICHA TÉCNICA DO EVENTO
Coordenação
Nanci de Freitas
Atrizes
Gleice Uchoa
Licia Gomes
Natasha Saldanha
Apoio
César Germano de Oliveira Costa
Pedro Henrique Borges
Realização
Mirateatro! Espaço de estudos
e criação cênica
Produção
Maria Lúcia Galvão
(Divisão de Teatros – DECULT/UERJ)
Seminário
Pensadores da encenação moderna: ressonâncias no teatro contemporâneo
8, 10 e 17 de outubro de 2013
FICHA TÉCNICA DO EVENTO
Curadoria
Profª Nanci de Freitas
Departamento de Linguagens Artísticas
Instituto de Artes da UERJ
Equipe de produção
Coordenação geral
Nanci de Freitas
Assistentes de produção – estudantes do Instituto de Artes
Gleice Mara
Lícia Gomes
Natasha Saldanha
Sara Paulo
Arte do cartaz e programação Visual
Sara Paulo
Realização
Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica
Apoios
Instituto de Artes da UERJ, Decult/SR3, Depext/SR3, Comuns, Gráfica UERJ.
Agradecimentos
Profª Denise Espírito Santo (Direção ART), Profª Eloisa Brantes (ART), Profª Dinah de Oliveira (ART), Profª Maria Lúcia Galvão (ART), Bel (Gráfica UERJ), Jorge Lima (Técnico ART), Cintia (funcionária ART), equipe de funcionários do Instituto de Artes e da COART/DECULT.
Agradecimentos especiais aos pesquisadores/artistas que, generosamente, aceitaram o convite para a participação neste seminário.
O seminário foi organizado pela equipe do projeto de extensão Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica, numa relação com a disciplina Teatro: processos e modalidades, da grade curricular dos cursos de graduação em Artes Visuais e História da Arte, do Instituto de Artes da UERJ, visando aproximar, concretamente, ensino, pesquisa e extensão, assim como as reflexões de outros projetos desenvolvidos na universidade. Os pesquisadores e artistas convidados (que generosamente aceitaram participar) trazem para as falas seus estudos, realizados em outros espaços institucionais e de criação, contribuindo para a ampliação de uma rede de pensamento sobre a cena contemporânea internacional e brasileira
DO TEATRO MODERNO À CENA CONTEMPORÂNEA: PENSAMENTO ESTÉTICO, TRANSBORDAMENTOS E PROCESSOS EXPERIMENTAIS
texto Por Nanci de Freitas
A emergência da modernidade artística, a partir do final do século XIX, com a explosão dos meios de comunicação e das tecnologias, colocaria em questão a ideia de um estilo de época, levando as considerações normativas a ceder lugar à investigação científica das obras de arte, no que diz respeito à exploração dos meios artísticos disponíveis, tanto do passado quanto do presente. Estavam abertas as condições para o advento da encenação moderna, na Europa, que romperia com as convenções teatrais do século XIX, apontando novas perspectivas artísticas e técnicas para o teatro, principalmente pela possibilidade da iluminação elétrica e pelo contato entre diversas matrizes culturais não eurocêntricas. O encenador surgiria como figura hegemônica da criação e do pensamento estético, articulando os projetos artísticos como obra de equipe, integrando cenógrafos, figurinistas, músicos e os próprios atores sob um determinado conceito formal, conferindo autoria ao espetáculo, em paralelo à poética do dramaturgo.
Ao longo do século XX, a cena moderna passaria por transformações envolvendo a crise da representação do real e rupturas com as proposições dramáticas de base aristotélicas, desdobramentos que seriam protagonizados pela tensão texto/cena. A crise do drama clássico, frente ao processo de “narrativização” da cena, seria gerada, principalmente, pelo teatro épico de Bertolt Brecht (SZONDI, 2001); e o aparecimento de outras poéticas no rastro do expressionismo, construtivismo, surrealismo e pelo contato com o oriente, apontando para a ritualização no teatro da crueldade de Antonin Artaud. As pesquisas sobre o trabalho do ator, desenvolvidas por Constantin Stanislavski e Jerzy Grotowski, com base em treinamentos psicofísicos, além das proposições cênicas de Peter Brook e do teatro antropológico de Eugênio Barba, dentre outros, colocariam em questão a função do teatro e seu âmbito institucional. Na segunda metade do século XX, tanto a cena visual de Robert Wilson e de Tadeuz Kantor quanto a dança-teatro da alemã Pina Baush influenciaram práticas ligadas ao “pensamento teatral pós-moderno”, com ênfase na produção de imagens, na fisicalidade corporal e na releitura de textos consagrados.
Dentre os estudos das estéticas cênicas pós-modernas (em âmbito internacional), destaca-se a concepção de “teatro pós-dramático”, elaborada pelo alemão Hans-Thies Lehmann (2007),
que aponta para formas cênicas que teriam superado a tal crise do drama, sugerindo certo estado ou situação mais do que propriamente a ação dramática, instaurando-se pela celebração do teatro enquanto processo ou performance. O francês Jean-Pierre Sarrazac, questionando o pensamento dos dois citados teóricos alemães, investe na oposição à dialética aristotélico-hegeliana e aponta o caminho para uma “dramaturgia de ideias” na cena contemporânea. A constatação é de crise permanente da forma dramática, de transbordamento polifônico e imagético, um “devir cênico” que se aproximaria do conceito de “devir” proposto por Deleuze. A afirmação da cena enquanto linguagem não eliminaria as possibilidades de inserção do real, da história e da política. (SARRAZAC, 2012). Para Patrice Pavis, o teatro pós-moderno teria renunciado às heranças dramatúrgicas para assimilar as conquistas da prática teatral histórica, cujos elementos seriam utilizados de acordo com as necessidades, como numa ampla memória de computador. A ênfase recairia sobre “o acontecimento único e efêmero da teatralização e da enunciação cênica”, prática semiótica que se detém em seus próprios modos de funcionamento, convidando à participação do receptor (PAVIS, 2008, p. 71-75).
No que diz respeito à prática cênica contemporânea (inclusive no teatro brasileiro), diversos procedimentos são explorados: o diálogo com o cinema e as artes visuais, em suas matrizes plásticas, sensoriais e imagéticas; a instauração de processos colaborativos, com ênfase na “escrita cênica” e na “dramaturgia do ator”; a experiência com a subjetividade e as narrativas autobiográficas; a apropriação de elementos da alteridade cultural no gesto poético da colagem, da citação e da metalinguagem, gerando poéticas cada vez mais híbridas; a imersão de artistas cosmopolitas nas redes de cultura digital global; aproximação entre arte e vida, atuação e atitudes performativas. Experiências não mais pautadas na necessidade de ruptura e descontinuidade, de opor tradição e modernidade. Talvez a possibilidade de outro gesto, de atos poéticos nos quais a produção de sentido se dá no próprio ato de fazer e de propor aos espectadores uma experiência estética.
No universo destas amplas questões estéticas (e sabendo não dar conta das poéticas de muitos outros encenadores importantes, do Brasil inclusive), este seminário se propôs pontuar as ideias desses fundadores de discursos sobre a encenação moderna e contemporânea, e pensar sobre sua possível potência no teatro da atualidade.
8 DE outubro DE 2013, DAS 19H30 ÁS 22H30
STANISLAVSKI E MEYERHOLD: MARCOS DA ENCENAÇÃO
MODERNA. TEATRALIDADE DO REAL OU POESIA CÊNICA?
Nanci de Freitas
Profª Associada no Instituto de Artes da UERJ, onde coordena o
projeto Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica
A figura do encenador surgiria como catalisador do pensamento estético, que iria orientar a prática cênica, no século XX. Stanislavski (1863-1938) e Meyerhold (1874-1940), na Rússia, são marcos que figuram numa tensão entre duas visões de teatralidade. Stanislavski, ligado à cena naturalista, desenvolveu processos criativos com atores, com base em noções de “verdade”, “fé cênica” e “ação física”, que foram alçados à categoria de “sistema”. Meyerhold buscou uma estilização, ligada à poesia cênica e ao construtivismo. As pesquisas de ambos são referências para a cena moderna.
O EFEITO-BRECHT NO TEATRO DO SÉCULO XX
Paulo Marcos Cardoso Maciel
Professor pesquisador no Departamento de Artes Cênicas do Instituto
de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto. É doutor em
Teatro pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UNIRIO
A comunicação trata do efeito-Brecht (1898-1956) para a reflexão teórica e a prática cênica no teatro do século XX, desde sua formulação do teatro épico. Tendo em mente alguns contextos históricos e teóricos da encenação moderna e suas repercussões no âmbito contemporâneo do pensamento teatral e da cena, especialmente sua recepção no Brasil.
ARTAUD: SOL? LUA? UM ECLIPSE TALVEZ!...
Samir Murad
Ator de teatro e televisão, autor e diretor de teatro. Fez o Mestrado
em Artes Cênicas, na UNIRIO, com pesquisa sobre o teatro de Antonin Artaud
Tomando como referência seu solo, Para acabar de vez com o julgamento de Artaud, o artista discute os aparentes paradoxos de alguns conceitos e práticas teatrais artaudianas, onde o rigor mistura-se ao caos e encontra a síntese de um novo possível caminho, que exige do artista um domínio conceitual e técnico sobre o seu aparelho cênico. Um encontro de Apolo e Dioniso em cena, do claro e do escuro, do ying e do yang, do Pai e da Mãe, enfim, princípios antagônicos que encontram possibilidades de diálogo a partir da não fronteira, da beira do abismo, onde Antonin Artaud (1896-1948) nos leva a caminhar.
10 DE outubro DE 2013, DAS 19H30 ÁS 22H30
EUGÊNIO BARBA E OS TEATROS DO MUNDO: PEDAGOGIA E INTERCULTURALIDADE
Denise Espírito Santo
Diretora de teatro e professora associada do Instituto de Artes
da UERJ, onde desenvolve pesquisa na pós-graduação e
coordena o projeto de extensão Palco em debate/Zonas de contato
O gradual apagamento de uma matriz referencial eurocêntrica, que veríamos se consolidar concomitante aos teatros que emergiram nas primeiras décadas do século XX, na Europa, possibilitariam o reconhecimento de outras formas de cultura, cujas presenças, outrora confinadas aos territórios dos orientalismos, viriam amalgamar-se ao conjunto das proposições artísticas da cena moderna. O teatro antropológico de Eugênio Barba (1936) investiu no conhecimento de outras formas dramáticas, possibilitando o constructo de uma nova ideia de teatralidade, e de um ethos que passaria a validar o trabalho do ator, que ascende assim a um protagonismo inédito na cena teatral contemporânea.
PETER BROOK E A POÉTICA DO ESPAÇO VAZIO
Larissa Elias
Atriz, diretora e Doutora em Teatro pela UNIRIO, com pesquisa sobre Peter Brook.
É professora do curso de Artes Cênicas da Escola de Belas Artes - EBA/UFRJ,
onde coordena o LABATOR – Laboratório de Processos do Ator
Uma das possíveis definições para o espaço vazio de Peter Brook (1925) é a de um espaço pleno de possibilidades, ready – “pronto para”. A ideia desdobra-se em vários aspectos, dentre eles: o vazio do espaço físico e o tapete como suporte, o vazio instaurado pelo caráter inusitado de um espaço qualquer e o vazio do ator. Tais configurações conduzem a uma noção de espaço vazio que pode ser compreendida como uma multiplicidade de formações conceituais, e que, especialmente a partir de meados dos anos 1960, passa a definir a poética de Brook.
ROBERT WILSON VISITA
Fábio Ferreira
Encenador, autor, professor e pesquisador de Teatro. É doutor em Letras com pesquisa sobre Samuel Beckett
A ideia é traçar alguns pontos relevantes do contato entre a cena brasileira e o encenador Robert Wilson - um dos maiores expoentes da cena mundial há décadas. Criador de uma cena antirrealista, com recursos precisos de grande impacto sonoro e visual. O diretor esteve no Brasil pela primeira vez nos idos dos anos 70, no festival promovido pela atriz e produtora paulista Ruth Escobar, com uma versão de The Life and Times of Joseph Stalin, que no Brasil da Ditadura Militar, teve que chamar-se: A Vida e a Época de Dave Clark. Nos últimos tempos vemos o retorno do encenador ao Brasil com maior frequência, desde a exposição Voom Portraits, e com os espetáculos Ópera dos Três Vinténs, Lulu, Macbeth e A Dama do Mar, o último com elenco brasileiro.
17 DE outubro DE 2013, DAS 19H30 ÁS 22H30
A REVOLUÇÃO GROTOWSKIANA
Celina Sodré
Diretora da companhia teatral Studio Stanislavski, e do Instituto
do Ator, doutora pelo PPGAC da UNIRIO, com tese sobre o
teatro de Jerzy Grotowski. É professora da Universidade Federal Fluminense – UFF
A ideia da palestra é de fazer uma análise dos elementos constituintes do teatro de Jerzy Grotowski (1933-1999), realizado pela sua companhia Teatro Laboratório, nos anos sessenta, na Polônia, e que determinaram o seu aspecto revolucionário para o teatro do século XX: a questão da dramaturgia física e do corpo-memória.
TADEUZ KANTOR: O TEATRO NO RISCO DO REAL
Eloisa Brantes
Professora pesquisadora no Instituto de Artes UERJ, onde coordena
o Ateliê de Performance. É doutora em Artes Cênicas pela UFBA/Paris
8 e atua como diretora e performer no Coletivo Líquida Ação
Em Tadeuz Kantor (1915-1990) o “fato artístico” se coloca como possibilidade de transposição da realidade imediata no teatro. A configuração de uma cena que implode as relações hierárquicas entre seus elementos constituintes (texto, ator, cenário, diretor) e se expõe como work in process, exclui a repetição como reprodução do mesmo e insere o espectador como participante da obra. Estas questões, traçadas por Kantor, serão vistas em relação aos usos da performance no teatro contemporâneo.
A CENA CONTEMPORÂNEA: TEATRALIDADE E PERFORMANCE
Dinah de Oliveira
Professora pesquisadora no curso de Bacharelado em Artes Visuais
da Escola de Belas Artes – EBA – UFRJ e doutora pela mesma instituição.
É artista/colaboradora do Instituto do Ator, dirigido por Celina Sodré,
além de colaboradora da Revista Questão de Crítica – Revista de Críticas e Estudos Teatrais
A criação cênica da atualidade rejeita classificações que procuram distinguir as noções de teatralidade e de performance. O tempo é elemento fundamental de alguns trabalhos e suas materialidades tratam de desarticular certas fronteiras entre gêneros, causando o desmonte de hierarquias mais tradicionais da linguagem teatral. Serão mostrados alguns dispositivos cênicos que tensionam e problematizam as relações entre as artes.
FICHA TÉCNICA VALSA Nº 6
Texto
Nelson Rodrigues
Direção
Nanci de Freitas
Atrizes
Elizeth Pinheiro
Natasha Saldanha
Raquel Oliveira
Figurinos
Sidiney Rocha
Iluminação
César Germano
Assistente de iluminação
Shirlei Rodrigues
Cenografia
Pedro Henrique Borges
Laríssa Amorim
Criação sonora
Eloy Vergara
Pedro Carneiro
Produção da trilha sonora
Eloy Vergara
Foto do cartaz
Laríssa Amorim
Vídeos
Laríssa Amorim
Pedro Henrique Borges
Orientação de movimento
Maria Lúcia Galvão
Iluminação e operação de luz
Cesar Germano
Festa – IV Festival Estudantil de Artes da Escola SESC de Ensino Médio. Espaço Cultural Escola SESC – Jacarepaguá.
FICHA TÉCNICA DO EVENTO
Produção para evento FESTA
Gleice Uchoa
Sara Paulo
Fotos no evento FESTA
Filipe Duque
Nanci de Freitas
Realização
Mirateatro! Espaço de estudos e criação cênica